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Remi e os Ossinhos de Dinossauro

Para 6 a 8 anos · 6 min de leitura

Numa árvore oca, perto do rio devagar, morava um guaxinim chamado Remi. Seu ninho era forrado de musgo macio e folhas quentinhas. Uma mantinha cobria seus pés. A noite era calma e boa. A lua estava baixa e redonda na janela da sua porta.

Remi, o guaxinim, aconchegado no seu ninho de musgo sob uma lua baixa e redonda.

Remi tinha mãozinhas que gostavam de tocar e achar. Mesmo agora, quentinho no ninho, seus dedinhos mexiam um pouco. Mas a noite estava calma. O vento estava devagar. Remi puxou a mantinha e soltou o ar, suave e longo.

No parapeito estavam seus tesouros. Uma pedrinha cinza e lisa. Uma bolota redonda. Um pedacinho de casca clara. E mais uma coisa — um osso comprido e liso que ele achou perto do rio naquele dia. Era velho, branco e gastinho. Remi gostava de como ele era. Fresquinho e quieto nas suas patinhas.

Ele ergueu o osso até a lua. "O que você foi," sussurrou, "há muito, muito tempo?"

Sua amiga coruja estava acordada na árvore ao lado. O nome dela era Ona. Ela piscou os olhos redondos e desceu leve como uma folha. Pousou no parapeito quase sem som.

"Isso," disse Ona com carinho, "é um osso bem velho. Mais velho que o rio. Mais velho que as árvores."

Remi virou o osso devagar. "Quão velho?"

"Faz muito tempo," disse Ona, "antes de você, antes de mim, criaturas grandes e mansas andavam por aqui. A gente chama elas de dinossauros. Algumas eram altas como árvores. Algumas eram pequenas como você. Comiam samambaias macias e bebiam de poças quentes."

Os olhos de Remi ficaram grandes e quentinhos. "Um dinossauro," ele respirou. Olhou de novo para o ossinho. Parecia um segredo pequeno e quieto descansando nas suas mãos.

Ele quis montar um. Só um bem pequenininho. Remi adorava fazer coisas com o que achava. Então desceu, devagar e com cuidado, e Ona flutuou ao seu lado pela noite azul e macia.

O capim estava fresco e molhado de orvalho. O rio cantava sua canção baixa e sonolenta. Remi ia juntando pelo caminho. Um galhinho torto para um pescoço bem comprido. Duas pedrinhas redondas para olhos sonolentos. Uma folha, enrolada assim, para um rabinho.

"Assim?" ele perguntou, encaixando o galhinho.

"Um pouquinho torto," disse Ona, com carinho. "Mas tá bom assim."

Remi sorriu e tentou de novo. Na primeira vez, o pescoço tombou. Ele riu, baixinho e suave, e o levantou outra vez. Na segunda vez, ele inclinou. Remi deu um tapinha gentil e tentou pela terceira. Dessa vez ficou de pé. Um dinossauro pequenininho, de galho, pedra e folha, em pé no luar.

"Pronto," sussurrou. "Um pequeno. Um sonolento."

Um dinossauro pequenininho de galho, pedrinha e folha em pé perto do rio ao luar.

O dinossauro de folha e galho ficou parado perto do rio. Seus olhos de pedrinha brilhavam na lua. Remi achou que ele parecia amigo. Achou que parecia cansado também, do jeito que ele estava ficando agora.

"Eles eram macios?" Remi perguntou. "Os de verdade?"

"Alguns tinham pele como couro quentinho," disse Ona. "Alguns, os pequenininhos, tinham penas, macias como as minhas. Gostavam da noite. Se deitavam perto das samambaias. Fechavam os olhos, igual você vai fechar logo."

Remi bocejou. Um bocejo grande e devagar. Imaginou um dinossauro grande e manso se deitando nas samambaias, há muito tempo, sob esta mesma lua baixa. Dobrando o pescoço comprido. Respirando devagar. Caindo no sono perto de uma poça quente e quieta. O pensamento era macio, redondo e bom.

O rio seguia cantando. Calma agora, calma agora, parecia dizer. O dinossaurinho de galho montava guarda perto da água, e a lua também olhava.

Remi pôs o ossinho velho ao lado do seu dinossauro. "Vocês podem ficar juntos," disse baixinho. "Velhos amigos." Pareceu certo deixá-los ali, perto do rio manso, no escuro manso.

Então voltou para casa. Suas patinhas estavam devagar agora. Seus olhos estavam pesados. Ona caminhou com ele, a asa roçando seu ombro, como faz um amigo.

O capim era macio sob seus pés. A noite era quente e parada. Uma estrelinha apareceu sobre a árvore oca. Depois outra. Depois um punhado delas, como poeirinha sobre água escura.

Remi volta para casa pela grama macia enquanto as primeiras estrelinhas aparecem.

Remi subiu de volta para o ninho. O musgo estava tão quentinho como ele deixou. Puxou a mantinha sobre os pés.

"Boa noite, Ona," murmurou.

"Boa noite, Remi," ela sussurrou. Ela se ajeitou no galho ali pertinho. Suas penas se abriram redondas e quentinhas.

Remi deitou. Pensou no dinossaurinho lá perto da água. Pensou nos grandes e velhos, há muito tempo, se deitando para dormir nas samambaias macias. Todos eles dormindo. Todos eles seguros.

Sua mantinha estava quente. Seu ninho estava macio. A lua estava baixa, redonda e boa.

Ele respirou devagar. Soltou o ar devagar.

O rio cantava. Calma agora. Calma agora.

Suas mãozinhas ficaram quietas. Seus olhos se fecharam devagar.

Durma, pequeno Remi. Durma, pequenininho.

Boa noite.