Remi e o Pequeno Dragão Sonolento
Para 6 a 8 anos · 7 min de leitura
No alto de uma velha árvore oca, o guaxinim Remi tinha um ninho bem aconchegante. Era forrado de musgo seco e folhas marrons macias. Uma janelinha redonda deixava entrar a última luz da tarde. Remi estava sentado com as mãozinhas no colo, quentinho e abrigado. Lá fora, o mundo girava devagar e dourado. As folhas sussurravam. A brisa era macia. Tudo estava quieto, do jeito que a hora de dormir gosta.

Remi bocejou e olhou ao redor da sua casinha. Ele adorava mexer, desmontar e descobrir como as coisas funcionavam. Mas o dia já tinha acabado. Seus dedinhos estavam cansados. Era hora de ficar quieto.
Então Remi ouviu um som bem pequenininho. Era um sopro suave, como um gatinho apagando uma vela. Pfu. Pfu. Ele espiou pela beirada do ninho. Lá embaixo, num galho baixo, estava o menor dragão que Remi já tinha visto.
O dragãozinho não era maior que uma xícara. Suas escamas tinham a cor de manteiga quente, amarelo macio e dourado. As asas estavam dobradas bem juntas, como duas folhas cansadas. Cada vez que soprava, um sopro morno subia no ar. Não era fogo. Não era fumaça. Era só um calorzinho gostoso, como o vapor sobre um copo de leite.

— Olá — sussurrou Remi. — Você é bem pequeno para um dragão.
O dragãozinho piscou os olhos redondos. — Eu me perdi — disse, com uma voz como um sininho macio. — Não consigo achar o caminho de casa. E estou com tanto sono.
O coração curioso de Remi deu um puxãozinho gentil. Ele desceu do ninho, devagar e com cuidado. — Eu te ajudo — disse. — Venha. Vamos procurar juntos.
O dragãozinho andou ao lado dele. Saíram pelos galhos largos e baixos da velha árvore. A madeira estava morna sob os pés. O céu lá em cima tinha ficado de um azul escuro e empoeirado. Uma estrelinha macia já tinha aparecido para olhar.
— Onde fica a sua casa? — perguntou Remi.
— No oco quentinho — disse o dragão. — Onde o musgo é fofo e o vento não chega. Mas andei e andei, e não consigo encontrar.
Remi pensou um pouquinho. Ele gostava de descobrir as coisas. — Então vamos seguir o calor — disse. — Você é um dragãozinho. Sua casa vai ser quentinha, igual a você.
Então seguiram em frente, devagar e quietos. Remi ia com uma mãozinha estendida. Sentiu o ar fresco perto das folhas. Sentiu o ar mais frio perto do céu aberto. E então, perto do meio da árvore, sentiu. Um calor macio e gentil, como uma manta deixada no sol.
— Por aqui — sussurrou Remi. — Siga o calor.
O dragãozinho deu um sopro feliz. Viraram juntos e foram em direção ao calor. Passo a passo macio, o ar ficou mais aconchegante. O vento se foi. Os galhos se curvaram bem perto deles, como braços abraçando com carinho.
E lá estava. Um ocozinho redondo, fundo na velha árvore. Forrado de musgo verde e fofo. Brilhava bem de leve, da cor de manteiga quente, igualzinho ao dragão. Por dentro, era aconchegante, quieto e quentinho.
— Minha casa — disse o dragãozinho baixinho. — Você achou.
— Nós achamos juntos — disse Remi.
O dragãozinho entrou e se enrolou numa bolinha. As asas se dobraram como um cobertor. Deu um sopro lento e morno, e o oco inteiro ficou aconchegante. Depois olhou para Remi com olhos sonolentos.
— Fica — sussurrou. — Tem espaço. E é quentinho. E você também parece com sono.
Remi bocejou. Ele estava mesmo com sono. As mãozinhas já tinham parado de mexer. Os olhos estavam pesados e lentos. O musgo morno parecia macio como uma nuvem.
— Só por hoje — disse Remi.
Ele entrou no oco quentinho ao lado do dragãozinho. O musgo era macio. O ar era morno. Lá fora, o céu agora estava cheio de veludo escuro e estrelas quietas. A brisa também tinha ido dormir.
O dragãozinho soprou, lento e morno. Pfu. Remi soprou, lento e suave. Os dois ficaram bem juntinhos, cada vez mais aconchegados. O oco os segurava como uma mão gentil.

— Xiu, agora — sussurrou Remi. — Xiu, agora. Estamos em casa.
Os olhos do dragãozinho foram se fechando. A respiração foi ficando lenta. Para dentro, e para fora. Para dentro, e para fora. Morno e macio, morno e macio.
Remi olhou a última estrela pela portinha redonda do oco. Era pequena, prateada e bem longe. Parecia brilhar só para eles. Seus olhos foram ficando mais pesados. Seus pensamentos foram ficando mais lentos. O calor o envolveu inteirinho.
Para dentro, e para fora. O dragãozinho respirava. Para dentro, e para fora, Remi respirava também. Mais devagar agora. Mais suave agora. O musgo estava tão morno. A noite estava tão quieta.
Xiu, agora. Xiu, agora.
Remi fechou os olhos. Sentiu o sopro morno do dragãozinho ao lado, macio como uma pluma. Sentiu o musgo embaixo dele, macio como o sono. Sentiu a noite ao redor, quieta e boa.
Não havia mais nada para consertar. Nada mais para achar. Tudo estava quentinho. Tudo era casa.
O dragãozinho já estava sonhando. Remi estava quase lá também.
Respiração lenta. Respiração macia. Morno, seguro e em casa.
Boa noite, dragãozinho. Boa noite, pequeno Remi. Boa noite.