O Urso e o Caminho Escuro
Para 6 a 8 anos · 6 min de leitura
Bruno, o urso, morava numa tocazinha embaixo de uma colina. A toca era quente, redonda e macia. Um fogo pequenino brilhava perto da porta. Uma panela de sopa esperava nas pedras quentes. Bruno mexia a sopa devagar. A sopa cheirava a cenoura e chuva. Lá fora, a noite descia macia e azul. Bruno deu um bocejo bem fundo e sonolento.

Então ouviu-se uma batidinha na porta. Toc, toc. Era Pipa, a corujinha da árvore alta. Suas penas estavam molhadas e despenteadas. "Bruno", disse ela baixinho, "minha asa está cansada. Não consigo voar para casa hoje."
Bruno a enrolou num pano quentinho. Deu a ela um gole de sopa. "Você fica aqui, pequenina", disse ele. "Mas seu ninho está escuro e frio. Vou levar sopa quente até a sua árvore, para que sua casa fique aconchegante quando a asa descansar."
Pipa olhou para a porta escura. "O caminho é tão escuro", sussurrou ela. "Eu não gosto do escuro."
Bruno sorriu seu sorriso devagar e gentil. "O escuro é só o dia, dormindo", disse ele. "Podemos ser corajosos juntos, você e eu. Ser corajoso é só continuar andando, calmo e devagar."
Então Bruno encheu uma panelinha de sopa. Pegou uma lanterna pequena e quente. A lanterna fazia uma luz redonda e dourada. Ele pisou no caminho escuro. Seu coração fez tum, mas só um pouquinho. O caminho serpenteava entre as árvores. As árvores eram altas e quietas. Suas folhas sussurravam, xiu, xiu, xiu.
Bruno andava devagar. Cada passo afundava macio no musgo. A lanterna balançava dourada sobre as folhas. No começo o escuro parecia enorme. Mas Bruno respirava fundo, e soltava o ar. A cada respiração lenta, o escuro ficava menor. A noite não era assustadora. Era só quieta. Era só macia.
Um ventinho passou pelas samambaias. Bruno viu que era só o vento. Um galho rangeu lá em cima. Bruno viu que era só um galho, balançando devagar. "Está vendo", disse ele baixinho para si mesmo, "não há nada aqui além da noite com sono." E continuou andando, calmo e devagar, calmo e devagar.
O caminho se abriu numa clareira pequena. Lá no alto, a primeira estrela acordou piscando. Depois duas estrelas. Depois dez. O céu escuro encheu-se de luzinhas douradas, como um cobertor macio bordado de estrelas. Bruno parou e olhou para cima. Sentiu o escuro o envolver, quente como um abraço. Agora não tinha mais medo. Estava feliz. A noite era linda, e estivera ali o tempo todo.

Finalmente chegou à árvore alta de Pipa. Subiu devagar e com cuidado, até o ninho redondinho. Colocou a panela quente lá dentro. Ajeitou uma folha macia em volta para guardar o calor. "Pronto", sussurrou Bruno. "Quentinho e esperando, só para você."
Depois desceu e voltou pelo mesmo caminho. Mas agora o caminho não era escuro para ele. Era só a noite gentil e sonolenta. A lanterna brilhava. As estrelas brilhavam. O musgo era macio sob seus pés. Bruno cantarolou uma melodia baixa e lenta enquanto andava. Xiu, agora. Xiu, agora. Quase em casa.
Quando empurrou a porta redonda, o fogo ainda brilhava quentinho. Pipa estava enroladinha perto da lareira, os olhos quase fechados. "Você foi para o escuro", disse ela, baixinho e admirada. "Você foi corajoso."

Bruno pousou a lanterna. "E você também foi corajosa", disse ele, "por confiar em mim para ir." Ele sorriu. "O escuro era gentil, Pipa. Amanhã sua asa estará forte. Seu ninho está quente e pronto."
Pipa deu um pio bem pequenininho e sonolento. Bruno deu a ela outro pano quente. Serviu o resto da sopa em duas tigelinhas. Tomaram a sopa devagar perto do fogo pequenino. A sopa quente encheu as barriguinhas. Os olhos ficaram pesados e macios.
O fogo baixou até um brilho dourado e suave. A toca ficou quente e escura. Lá fora, as estrelas faziam sua vigia silenciosa. A cabecinha de Pipa começou a pender. As patas grandes de Bruno ficaram quietas.
Bruno colocou um cobertor macio sobre os dois. Respirou devagar. Respirou fundo. A noite estava quieta agora. A noite era gentil. Não havia mais nada a fazer além de descansar.
Pipa já estava sonhando, uma corujinha adormecida perto do fogo.
Bruno fechou os olhos. O fogo sussurrava baixinho. Xiu, agora. Xiu, agora.
Seguro e quentinho, o corajoso Bruno escorregou para o sono.
Boa noite, ursinho. Boa noite.