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Nora e as Estrelas Caladas

Para 6 a 8 anos · 6 min de leitura

Bem no alto da árvore velha, num oco redondo e macio, a coruja Nora se preparava para a noite. O ninho dela era quentinho. As paredes tinham musgo e penas. Um cobertorzinho de folhas cobria seus dedinhos.

A noite estava muito quieta. O vento tinha ido descansar. Lá embaixo, a floresta respirava devagar, bem de leve. Nora encolheu as asas e deu um suspiro pequeno e feliz.

Uma corujinha redonda e fofa, de olhos fechados, descansando num oco macio e musgoso.

Era a hora calma. A melhor hora. A hora em que o dia se solta.

Nora olhou pela sua janelinha redonda. O céu ia ficando de um azul fundo e macio. Um azul que a gente quase pode tocar. Ela piscou os olhos sonolentos e viu o céu escurecer, escurecer, e ficar ainda mais macio.

Então surgiu uma luzinha. Um pontinho de prata, bem longe. Nora inclinou a cabeça.

"Olá," sussurrou ela. "Aí está você."

Era a primeira estrela.

A primeira estrela era a que ela mais amava. Ela sempre chegava em silêncio. Nunca fazia barulho. Só se abria, como um olhinho no escuro, e dizia olá de volta.

Nora ficou pensando, do seu jeitinho calmo, onde a estrela tinha estado o dia todo. Será que dormia também? Será que se enrolava num lugar quentinho quando o sol brilhava? Ela não precisava de resposta. Só gostava de imaginar. Imaginar era macio, como flutuar.

Uma a uma, mais estrelas foram surgindo. Duas. Depois cinco. Depois mais do que ela conseguia contar.

Nora nem tentou contar. Seria trabalho demais para uma coruja tão sonolenta. Ela só deixou que viessem, como amigas caladas chegando para a noite.

Devagar, ela foi até a beirada do oco. A casca era lisa e fresquinha sob seus dedinhos. Ela gostava de ficar ali, na beirada macia das coisas, olhando para o escuro largo e calmo.

O céu ia longe, longe. Para cima e para cima. Nora se sentiu bem pequenina. Mas era uma pequenez boa. Como a gente se sente pequeno num abraço quentinho. O céu grande estava abraçando ela, e a árvore, e a floresta toda sonolenta, tudo de uma vez.

Num galho mais abaixo, uma vozinha falou. "Nora? Já saíram as estrelas?"

Era o Pip, o ouriço pequeno da toca de baixo. Os olhos dele já estavam quase fechados.

"Já," disse Nora baixinho. "Vem ver."

Pip subiu, devagar e redondinho, e se aninhou ao lado dela. Juntos, olharam para as estrelas caladas.

"Tem tantas," sussurrou Pip.

"Mm," disse Nora. "Mais que folhas. Mais que sonhos."

Pip deu um bocejinho. "Para onde elas vão de manhã?"

Nora pensou nisso, do jeito que gostava de pensar. "Talvez elas se escondam," disse ela. "Talvez descansem atrás do azul, bem quentinhas, até ficar escuro e calmo de novo."

"Como a gente," disse Pip.

"Como a gente," disse Nora.

Eles viram a lua subir devagar por cima das árvores. Ela era redonda, pálida e suave. Derramava uma luz macia entre os galhos, como creme, como leite quente, escorrendo quieta sobre tudo.

A corujinha olha para cima enquanto a lua palida e redonda derrama uma luz prateada e suave sobre as arvores.

A luz da lua tocou as folhas. Tocou o musgo. Tocou o narizinho do Pip e as penas macias da Nora. Tudo brilhava num silêncio de prata.

Nora sentiu o encanto se acomodar no peito, devagar e quentinho. Tinha tanto céu. Tantas estrelas. E mesmo assim, ali estava ela, pequena e segura, na sua árvore aconchegante, com um amigo pertinho. A imensidão de tudo não dava medo. Dava a sensação de estar sendo abraçada.

Uma brisa lenta passou. Era morna e macia. Tinha cheiro de musgo, de noite e de sono.

"Acho," disse Pip, bem baixinho, "que vou descer pra minha cama quentinha agora."

"Boa noite, amiguinho," disse Nora. "As estrelas vão ficar de vigia."

Pip desceu devagarinho. Nora o ouviu se aninhar no ninho macio lá embaixo. Então a floresta ficou quieta de novo, e suave, e parada.

Nora voltou para dentro do oco. O ninho esperava por ela, quente e redondo. Ela rodou devagar, do jeito que as corujas fazem, e se acomodou no musgo macio.

A coruja sonolenta se enrosca no ninho quente e redondo, com os olhos pesando sob a luz das estrelas.

Pela janelinha, ainda dava para ver as estrelas. Elas piscavam, devagar e gentis. Não tinham pressa. Nada tinha pressa agora.

Nora puxou o cobertor de folhas sobre os dedinhos. As penas estavam quentes. As asas, macias. Os olhos começaram a pesar.

Ela olhou para a primeira estrela mais uma vez. Ela ainda estava lá, cuidando da floresta sonolenta. Cuidando dela.

"Boa noite, estrela," sussurrou. "Boa noite, lua."

A luz da lua pousou macia sobre o ninho. A noite era funda e quente.

Hush, hush. Quietinho agora.

Os olhos de Nora se fecharam, devagar e suaves, como o céu ficando escuro. A respiração foi ficando lenta. As asas, paradinhas.

As estrelas seguiram de vigia, em silêncio. A lua segurava a floresta toda numa luz macia de prata.

E bem no alto da árvore velha, no seu ninho quente e redondo, a coruja Nora foi descendo, descendo, descendo para um sono macio e tranquilo.

Boa noite, Nora. Boa noite, estrelinhas. Boa noite.